Próximo a um campo de milho havia um grande carvalho, era uma planta magnífica. Tinha um grande tronco robusto e maciço, uma espessa folhagem muito verde que se via a distância. Perto do carvalho, à margem de um córrego, crescia um junco alto e fino, com as longas folhas em forma de lança, de uma pálida cor verde-prateada. Um dia, o carvalho majestoso dirigiu a palavra ao junco:
- Eu morro de pena de você, coitadinho, o destino não lhe foi generoso, não é? É tão fraquinho, que não pode agüentar nem ao mesmo o peso de um passarinho, e o mínimo de sopro de vento o faz abaixar até o chão. Olhe para mim: nos meus galhos, ao contrário, há ninhos em quantidade e alegres cantos de pássaros se cruzam ao meu redor do amanhecer ao pôr-do-sol. O mais forte temporal nunca me tirou do lugar.
O junco escutava, atento.
- Se pelo menos - retomou o carvalho - você tivesse nascido e crescido ao meu lado! Eu o teria abrigado e protegido. Mas você esta aí, à beira do córrego, ao sabor das intempéries!
- As suas palavras são ditadas pelo bom coração e eu lhe agradeço, grande carvalho - rebateu imediatamente o junco. Mas o meu destino não é assim tão amargo como você fala. O vento me maltrata, mas não consegue me quebrar e, assim que ele vai embora, eu levanto a cabeça de novo.
- Bobagens! - resmungou o carvalho.
E sacudiu a grande folhagem verde, aborrecido por ter sido contrariado por aquela plantinha insignificante.
Dali a pouco o céu começou a cobrir-se de nuvens ameaçadoras, ficou escuro c
omo a noite e irrompeu a mais assustadora tempestade que se possa imaginar, com rajadas de vento violentíssimas.
Atingido em cheio por aquela fúria descontrolada, o grande carvalho caiu no chão com um estrondo, a sua folhagem verde foi arrastada para longe e se espalhou, as raízes foram arrancadas da terra.
O humilde junco, abaixado o córrego, resistiu. E quando o céu ficou calmo, levantou novamente a cabeça para o azul.
Fonte: Estórias - Pe. Josué Nascimento - Travessia
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