breves estórias de aprender a ler e ver (recolha)





segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

O Amor visto pelas Crianças

Amor visto pelas Crianças

«Quando a minha avó ficou com artrite, não se podia dobrar para pintar as unhas dos dedos dos pés. Portanto o meu avô faz sempre isso por ela, mesmo quando apanhou, também, artrite nas mãos. Isso é o amor.» Rebeca, 8 anos

«Quando alguém te ama, a maneira como pronuncia o teu nome é diferente. Tu sentes que o teu nome está seguro na boca dessa pessoa.»
Billy, 4 anos

«O amor é quando uma rapariga põe perfume e um rapaz põe colónia da barba e vão sair e se cheiram um ao outro.» Karl, 5 anos

«O amor é quando vais comer fora e dás grande parte das tuas batatas fritas a alguém, sem a obrigares a darem-te das dele.» Chrissy, 6 anos

«O amor é o que te faz sorrir quando estás cansado.» Terri, 4 anos

«O amor é quando a minha mamã faz café ao meu papá e bebe um golinho antes de lho dar, para ter a certeza de que o sabor está bom.» Danny, 7 anos

«O amor é estar sempre a dar beijinhos. E, depois, quando já estás cansado dos beijinhos, ainda queres estar ao pé daquela pessoa e falar com ela. O meu pai e a minha mãe são assim. Eles são um bocado nojentos quando se beijam.» 
Emily, 8 anos    rsssssssssssssss

«O amor é aquilo que está contigo na sala, no Natal, se parares de abrir os presentes e escutares com atenção.» Bobby, 7 anos

«Se queres aprender mais sobre o amor, deves começar por um amigo que odeies.» Nikka, 6 anos

«O amor é quando dizes a um rapaz que gostas da camisa dele e, depois, ele usa-a todos os dias.» Noelle, 7 anos

«O amor é quando um velhinho e uma velhinha ainda são amigos, mesmo depois de se conhecerem muito bem.» (nem Sócrates, Descartes ou Freud diriam algo mais certo...) Tommy, 6 anos

«Durante o meu recital de piano, eu estava no palco e sentia-me apavorada. Olhei para todas as pessoas que estavam a olhar para mim, e reparei no meu pai que estava a acenar-me e a sorrir. Era a   única pessoa a fazer aquilo. O medo desapareceu»Cindy, 8 anos

«A minha mãe ama-me mais do que ninguém. Não vês mais ninguém a dar-me beijinhos para dormir.» Clare, 6 anos

«Amor é quando a mamã dá ao papá o melhor pedaço da galinha.» Elaine, 5 anos

«Amor é quando a mamã vê o papá bem cheiroso e arranjadinho e diz que ele ainda é mais bonito do que o Robert Redford.» Chris, 7 anos

«Amor é quando o teu cãozinho te lambe a cara toda, apesar de o teres deixado sozinho todo o dia .» Mary Ann, 4 anos    tão querida

«Eu sei que a minha irmã mais velha me ama, porque me dá todas as roupas usadas e tem de ir comprar outras.» Lauren, 4 anos

«Quando amas alguém, as tuas pestanas andam para cima e para baixo e saem estrelinhas de ti.» (quanta arte!)
Karen, 7 anos

«Amor é quando a mamã vê o papá na casa de banho e não acha isso indecente.» Mark, 6 anos

«Nunca devemos dizer 'Amo-te', a menos que seja mesmo verdade. Mas se é mesmo verdade, devemos dizer muitas vezes. As pessoas esquecem-se .» Jessica, 8 anos

E a última? O autor e conferencista Leo Buscaglia falou de um concurso em que ele teve de ser júri. O objectivo era encontrar a criança mais cuidadosa.
A vencedor foi um rapazinho de quatro anos, cujo vizinho era um velhote que perdera recentemente a sua esposa. Depois de ter visto o senhor a chorar, o menino foi ao quintal do velhote, subiu para o seu colo e sentou-se. Quando a mãe  perguntou o que dissera ao vizinho, o rapazinho disse:
"Nada, só o ajudei a chorar".

(recebido por e-mail)

Pede-se Experiência!...

Curriculum Vitae
Pede-se experiência...
A redacção que se segue foi escrita por um candidato numa selecção de
Pessoal na Volkswagen. A pessoa foi aceite e o seu texto está a fazer furor na
Internet, pela sua criatividade e sensibilidade
.

"Já fiz cócegas à minha irmã só para que deixasse de chorar, já me queimei a
brincar com uma vela, já fiz um balão com a pastilha que se me colou na cara
toda, já falei com o espelho, já fingi ser bruxo.
Já quis ser astronauta, violinista, mago, caçador e trapezista; já me
escondi atrás da cortina e deixei esquecidos os pés de fora.
Já roubei um beijo, confundi os sentimentos, tomei um caminho errado e ainda
sigo caminhando pelo desconhecido.
Já raspei o fundo da panela onde se cozinhou o creme, já me cortei ao
barbear-me muito apressado e chorei ao escutar determinada música no
autocarro.
Já tentei esquecer algumas pessoas e descobri que são as mais difíceis de
esquecer.
Já subi às escondidas até ao terraço para agarrar estrelas, já subi
a uma árvore para roubar fruta, já caí por uma escada.
Já fiz juramentos eternos, escrevi no muro da escola e chorei sozinho
na casa de banho por algo que me aconteceu; já fugi de minha casa
para sempre e voltei no instante seguinte.
Já corri para não deixar alguém a chorar, já fiquei só no meio de mil
pessoas, sentindo a falta de uma única.
Já vi o pôr-do-sol mudar do rosado ao alaranjado, já mergulhei na
piscina e não quis sair mais, já tomei whisky até sentir os lábios
dormentes, já olhei a cidade de cima e nem mesmo assim encontrei o
meu lugar.
Já senti medo da escuridão, já tremi de nervos, já quase morri de
amor e renasci novamente para ver o sorriso de alguém especial.
Já acordei no meio da noite e senti medo de me levantar.
Já apostei a correr descalço pela rua, gritei de felicidade, roubei
rosas num enorme jardim, já me apaixonei e pensei que era para
sempre, mas era um 'para sempre' pela metade.
Já me deitei na relva até de madrugada e vi o sol substituir a lua; já
chorei por ver amigos partir e depois descobri que chegaram outros novos e
que a vida é um ir e vir permanente.
Foram tantas as coisas que fiz, tantos os momentos fotografados pela lente
da emoção e guardados nesse baú chamado coração...

Agora, um questionário pergunta-me, grita-me desde o papel:
- Qual é a sua experiência?
Essa pergunta fez eco no meu cérebro. Experiência....
Experiência... Será que cultivar sorrisos é experiência?

Agora... agradar-me-ia perguntar a quem redigiu o questionário:
- Experiência?! Quem a tem, se a cada momento tudo se renova ???"

(recebido via e-mail)

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Grande frango!...

Porque é que o frango  atravessou a estrada?

PLATÃO
Porque ia em busca do bem.

ARISTÓTELES
Está na natureza dos frangos atravessar a estrada.

DESCARTES
O frango atravessa a estrada, logo existe.

MARX
Era uma inevitabilidade histórica.

MOISÉS
E Deus desceu dos céus e disse ao frango: "atravessa a estrada". E o frango atravessou a estrada, e todos se regozijaram, e louvaram o Senhor.

BUDA
O frango ia em busca da iluminação para chegar ao Nirvana.
JESUS
Apenas quem se faz frango e atravessa estradas pode entrar no Reino dos Céus.
GEORGES W. BUSH
Quando um frango quer dominar o petróleo tem que atravessar estradas para o conquistar!

SADDAM HUSSEIN
A acção do frango imperialista constituiu uma acção INACEITÁVEL de espionagem!
Mas o povo iraquiano ergueu-se em justa autodefesa e esmagou a força inimiga atingindo gloriosamente o frango com 20 mísseis Al-Samoud e 50 toneladas de gás tóxico!

FREUD
A preocupação com o motivo que levou o frango a atravessar a estrada revela um recalcamento da libido ao nível do subconsciente, possivelmente associado a insegurança sexual originada pelo receio de tendências homossexuais latentes.

DARWIN
Ao longo da evolução, a acção da selecção natural sobre os frangos favoreceu os mais aptos a atravessar a estrada, de forma que só esses sobreviveram.

EINSTEIN
Se o frango atravessou a estrada ou se estrada se deslocou sob o frango, depende do ponto de vista do observador.

NEIL ARMSTRONG
Foi um pequeno passo para o frango mas um grande passo para os Galináceos.

MARTIN LUTHER KING
Vejo um mundo no qual todos os frangos serão livres para atravessar a estrada sem que sejam questionados os seus motivos,
eu tenho um sonho...

PAULO COELHO
O frango ia em busca da sua "lenda pessoal" nem que para isso tivesse que atravessar todas as estradas até Santiago de Compostela.

ARTHUR ANDERSEN CONSULTING
A desregulação do lado da estrada onde se encontrava o frango estava a ameaçar a sua posição dominante no mercado. O frango enfrentava importantes obstáculos para criar e desenvolver as competências necessárias para encarar a competitividade do mercado. A Andersen Consulting, numa relação de sócio e cliente, colaborou com o frango, desenhando a sua estratégia de distribuição física e respectivos processos de implantação. [...] Para este projecto, a Andersen Consulting convocou uma equipa multidisciplinar de analistas de estradas e melhores frangos que, junto com outros consultores da Andersen com profundas habilidades na indústria do transporte, promoveram durante dois dias uma série de reuniões com o objetivo de aproveitar o seu capital pessoal de conhecimento, tanto explícito como implícito, e de lhes permitir obter sinergias entre si para conseguir as metas implícitas da entrega e modelo óptimo e implementando um marco de valores de empresa através da continuidade de processos avícolas. [...]. (O frango veio mais tarde a morrer atropelado devido à demora em atravessar a estrada)

BILL GATES
A Microsoft acaba de lançar o Microsoft Chicken 2003, que não só atravessa estradas, como também põe ovos, arquiva documentos importantes e faz contas. É também melhor que o MSChicken 2000 que por vezes bloqueava a meio da travessia da estrada.

(recebida por e-mail)

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

As Vacas e o Capitalismo

(RIDENDO CASTIGAT MORES)

CAPITALISMO IDEAL
Você tem duas vacas.
Vende uma e compra um boi.
Eles multiplicam-se, e a economia cresce.
Você vende a manada e aposenta-se. Fica rico!

CAPITALISMO AMERICANO
Você tem duas vacas.
Vende uma e força a outra a produzir o leite de quatro vacas.
Fica surpreso quando ela morre.

CAPITALISMO JAPONÊS
Você tem duas vacas.
Redesenha-as para que tenham um décimo do tamanho de uma vaca normal e
produzam 20 vezes mais leite.
Depois cria desenhinhos de vacas chamados Vaquimon e vende-os para o
mundo inteiro.

CAPITALISMO BRITÂNICO
Você tem duas vacas. As duas são loucas.

CAPITALISMO HOLANDÊS
Você tem duas vacas.
Elas vivem juntas, em união de facto, não gostam de bois e tudo bem.

CAPITALISMO ALEMÃO
Você tem duas vacas.
Elas produzem leite regularmente, segundo padrões de quantidade e
horário previamente estabelecido, de forma precisa e lucrativa.
Mas o que você queria mesmo era criar porcos.

CAPITALISMO RUSSO
Você tem duas vacas.
Conta-as e vê que tem cinco.
Conta de novo e vê que tem 42.
Conta de novo e vê que tem 12 vacas.
Você pára de contar e abre outra garrafa de vodka.

CAPITALISMO SUÍÇO
Você tem 500 vacas, mas nenhuma é sua.
Você cobra para guardar as vacas dos outros.

CAPITALISMO ESPANHOL
Você tem muito orgulho de ter duas vacas.

CAPITALISMO BRASILEIRO
Você tem duas vacas.
E reclama porque o rebanho não cresce...
( ou : Mandas para Portugal para animarem as noites)…hehe

CAPITALISMO HINDU
Você tem duas vacas. Ai de quem tocar nelas.

CAPITALISMO PORTUGUÊS
Você tem duas vacas.
Foram compradas através do Fundo Social Europeu.
O governo cria O IVVA - Imposto de Valor Vacuum Acrescentado. Você
vende uma vaca para pagar o imposto.
Um fiscal vem e multa-o, porque embora você tenha pago correctamente o
IVVA, o valor era pelo número de vacas presumidas e não pelo de vacas
reais.
O Ministério das Finanças, por meio de dados também presumidos do seu
consumo de leite, queijo, sapatos de couro, botões, presume que você
tenha 200 vacas.
Para se livrar do sarilho, você dá a vaca que resta ao inspector das
finanças para que ele feche os olhos e dê um jeitinho...

"A Pedra no Caminho"


A pedra no caminho
Conta-se a lenda de um rei que viveu há muitos anos num país para lá dos mares. Era muito sábio e não poupava esforços para inculcar bons hábitos nos seus súbditos. Frequentemente, fazia coisas que pareciam estranhas e inúteis; mas tudo se destinava a ensinar o povo a ser trabalhador e prudente.
— Nada de bom pode vir a uma nação — dizia ele — cujo povo reclama e espera que outros resolvam os seus problemas. Deus concede os seus dons a quem trata dos problemas por conta própria.
Uma noite, enquanto todos dormiam, pôs uma enorme pedra na estrada que passava pelo palácio. Depois, foi esconder-se atrás de uma cerca e esperou para ver o que acontecia.
Primeiro, veio um fazendeiro com uma carroça carregada de sementes que ele levava para a moagem.
— Onde já se viu tamanho descuido? — disse ele contrariado, enquanto desviava a sua parelha e contornava a pedra. — Por que motivo esses preguiçosos não mandam retirar a pedra da estrada?
E continuou a reclamar sobre a inutilidade dos outros, sem ao menos tocar, ele próprio, na pedra.
Logo depois surgiu a cantar um jovem soldado. A longa pluma do seu quépi ondulava na brisa, e uma espada reluzente pendia-lhe à cintura. Ele pensava na extraordinária coragem que revelaria na guerra.
O soldado não viu a pedra, mas tropeçou nela e estatelou-se no chão poeirento. Ergueu-se, sacudiu a poeira da roupa, pegou na espada e enfureceu-se com os preguiçosos que insensatamente haviam deixado uma pedra enorme na estrada. Também ele se afastou então, sem pensar uma única vez que ele próprio poderia retirar a pedra.
Assim correu o dia. Todos os que por ali passavam reclamavam e resmungavam por causa da pedra colocada na estrada, mas ninguém lhe tocava.
Finalmente, ao cair da noite, a filha do moleiro passou por lá. Era muito trabalhadora e estava cansada, pois desde cedo andara ocupada no moinho. Mas disse consigo própria: “Já está quase a escurecer e de noite, alguém pode tropeçar nesta pedra e ferir-se gravemente. Vou tirá-la do caminho.”
E tentou arrastar dali a pedra. Era muito pesada, mas a moça empurrou, e empurrou, e puxou, e inclinou, até que conseguiu retirá-la do lugar. Para sua surpresa, encontrou uma caixa debaixo da pedra.
Ergueu a caixa. Era pesada, pois estava cheia de alguma coisa. Havia na tampa os seguintes dizeres: “Esta caixa pertence a quem retirar a pedra.”
Ela abriu a caixa e descobriu que estava cheia de ouro.
A filha do moleiro foi para casa com o coração cheio de alegria. Quando o fazendeiro e o soldado e todos os outros ouviram o que havia ocorrido, juntaram-se em torno do local onde se encontrava a pedra. Revolveram com os pés o pó da estrada, na esperança de encontrarem um pedaço de ouro.
— Meus amigos — disse o rei — com frequência encontramos obstáculos e fardos no nosso caminho. Podemos, se assim preferirmos, reclamar alto e bom som enquanto nos desviamos deles, ou podemos retirá-los e descobrir o que eles significam. A decepção é normalmente o preço da preguiça.
Então, o sábio rei montou no seu cavalo e, dando delicadamente as boas-noites, retirou-se.
William J. Bennett
O Livro das Virtudes II
Editora Nova Fronteira, 1996

domingo, 2 de janeiro de 2011

O Vaso Chinês

O VASO CHINÊS

Uma chinesa velha tinha dois grandes vasos, cada um suspenso na extremidade de uma vara que ela carregava nas costas.

Um dos vasos era rachado e o outro era perfeito. Todos os dias ela ía ao rio buscar água, e ao fim da longa caminhada do rio até casa o vaso perfeito chegava sempre cheio de água, enquanto o rachado chegava meio vazio.

Durante muito tempo a coisa foi andando assim, com a senhora chegando a casa somente com um vaso e meio de água.

Naturalmente o vaso perfeito tinha muito orgulho do seu próprio resultado - e o pobre vaso rachado tinha vergonha do seu defeito, de conseguir fazer só a metade daquilo que deveria fazer.

Ao fim de dois anos, reflectindo sobre a sua própria amarga derrota de ser 'rachado', durante o caminho para o rio o vaso rachado disse à velha :

"Tenho vergonha de mim mesmo, porque esta rachadura que tenho faz-me perder metade da água durante o caminho até à sua casa ..."

A velhinha sorriu :

"Reparaste que lindas flores há no teu lado do caminho, somente no teu lado do caminho ? Eu sempre soube do teu defeito e portanto plantei sementes de flores na beira da estrada do teu lado. E todos os dias, enquanto voltávamos do rio, tu regava-las.

Foi assim que durante dois anos pude apanhar belas flores para enfeitar a mesa e alegrar o meu jantar. Se tu não fosses como és, eu não teria tido aquelas maravilhas na minha casa !"

Cada um de nós tem o seu defeito próprio : mas é o defeito que cada um de nós tem, que faz com que nossa convivência seja interessante e gratificante.

É preciso aceitar cada um pelo que é ... e descobrir o que há de bom nele !

O Carvalho e o Junco

Próximo a um campo de milho havia um grande carvalho, era uma planta magnífica. Tinha um grande tronco robusto e maciço, uma espessa folhagem muito verde que se via a distância. Perto do carvalho, à margem de um córrego, crescia um junco alto e fino, com as longas folhas em forma de lança, de uma pálida cor verde-prateada. Um dia, o carvalho majestoso dirigiu a palavra ao junco:
   -  Eu morro de pena de você, coitadinho, o destino não lhe foi generoso, não é? É tão fraquinho, que não pode agüentar nem ao mesmo o peso de um passarinho, e o mínimo de sopro de vento o faz abaixar até o chão. Olhe para mim: nos meus galhos, ao contrário, há ninhos em quantidade e alegres cantos de pássaros se cruzam ao meu redor do amanhecer ao pôr-do-sol. O mais forte temporal nunca me tirou do lugar.
O junco escutava, atento.
- Se pelo menos - retomou o carvalho - você tivesse nascido e crescido ao meu lado! Eu o teria abrigado e protegido. Mas você esta aí, à beira do córrego, ao sabor das intempéries!
  - As suas palavras são ditadas pelo bom coração e eu lhe agradeço, grande carvalho - rebateu imediatamente o junco. Mas o meu destino não é assim tão amargo como você fala. O vento me maltrata, mas não consegue me quebrar e, assim que ele vai embora, eu levanto a cabeça de novo.
   - Bobagens! - resmungou o carvalho.
E sacudiu a grande folhagem verde, aborrecido por ter sido contrariado por aquela plantinha insignificante.
Dali a pouco o céu começou a cobrir-se de nuvens ameaçadoras, ficou escuro como a noite e irrompeu a mais assustadora tempestade que se possa imaginar, com rajadas de vento violentíssimas.
Atingido em cheio por aquela fúria descontrolada, o grande carvalho caiu no chão com um estrondo, a sua folhagem verde foi arrastada para longe e se espalhou, as raízes foram arrancadas da terra.
O humilde junco, abaixado o córrego, resistiu. E quando o céu ficou calmo, levantou novamente a cabeça para o azul.

Fonte: Estórias - Pe. Josué Nascimento - Travessia